A natividade
Maria foi criada no templo e recebia comida de um “anjo” diariamente, José era viúvo e já tinha filhos. Ao chegar à puberdade, Maria deveria sair do templo e viver em uma casa normal. O sacerdote, Zacarias, não sabia onde enviá-la. Eis que surge um “anjo” e fala a Zacarias que deve reunir os viúvos (e que cada um a traga um cajado) para que Maria possa viver em segurança e tranqüilidade, também diz que será apontado o escolhido através do cajado.
Chegado o dia da escolha, Zacarias recolheu todos os cajados e os espalhou pelo chão do templo. Então uma “pomba” pousou sobre o bastão escolhido, que era de José, este levou Maria para casa e foi concluir uma obra em uma terra distante dali. Alguns dias depois Maria estava no lado de fora da casa quando uma voz a chamou. Ela, assustada, correu para o interior da residência onde apareceu um “anjo” que se identificou como Gabriel e lhe disse que ela daria a luz ao Rei dos Judeus. Após isso, Deus cobriu Maria com sua “sombra”, e ela estava grávida.
Imediatamente Maria foi à casa de Isabel (que também estava grávida) e passou três meses lá. Maria retornou para casa e, corrido mais três meses, José volta e se depara com a mulher grávida. Ele entra em desespero e, após a explicação de Maria (e a aparição de mais um “anjo”, desta vez para José), decide manter segredo sobre a gravidez.
Decorridos mais três meses é realizado o censo entre os habitantes de Belém e José, com medo de que descubram a gravidez de Maria, decide partir com sua esposa e seus filhos da cidade. A três milhas de distância, Maria começa a sentir as dores do parto e entra em uma gruta, José decide procurar ajuda. Depois de andar muito, percebe que o mundo a sua volta está parado: com os animais à beira do rio que, aparentemente, estavam matando a sede, mas não bebiam uma só gota de água; os trabalhadores que estavam comendo, porém suas mãos pararam no meio do caminho à boca e não se mexiam; também os pássaros do céu estavam estáticos. Ele ficou maravilhado e assustado com aquilo, quando o mundo voltou ao curso normal, José encontrou uma parteira que decidiu ajudá-lo. Foram à gruta e, de dentro desta, saía uma enorme nuvem luminosa e Jesus havia nascido. A parteira não acreditou na inocência e virgindade de Maria e queria tocá-la para acreditar, assim o fez e sua mão ficou carbonizada. Neste instante um ”anjo” a pediu para tocar no menino e, fazendo isso, sua mão voltou ao normal. O “anjo” também pediu que guardasse segredo de tudo o que viu e ela jurou.
Naquele instante os reis magos, que vinham de partes diferentes do mundo e tinham sido avisados e trazidos por ”anjos”, procuravam pelo Rei dos Judeus na cidade. Foram ter com Herodes, e este lhes disse que não sabia de nenhum nascido naquele momento, mas queria conhecê-lo para adorá-lo. Os reis saíram da Cidade onde encontraram novamente um dos “anjos”. Este disse que não voltassem ao palácio do rei por causa de suas más intenções. Após isso, o “anjo” sumiu e apareceu a estrela que os guiou até a gruta, pousando na entrada da caverna. Então os magos presentearam o novo Rei.
Após a narrativa acima, Herodes decidiu assassinar os meninos de até dois anos que nasceram em Belém. Maria fugiu com Jesus, José e seus filhos. Mas Isabel (que já havia dado a luz) estava com medo não pode ir com eles. Pegou seu filho e foi para a ”Montanha do Senhor”, onde conseguiu subir até certo ponto e exclamou por Deus para que lhe ajudasse. Então a montanha se abriu, de dentro dela emanou uma enorme luz e saiu um “anjo” para abrigá-la.
O texto escrito foi uma adaptação do Evangelho Apócrifo de Tiago (ou Proto-evangelho de Tiago). Um dos vários livros que a Igreja Cristã não aceitou como parte da bíblia, por volta de 500 d.C..
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